Almoço de Boas-vindas
Vai acontecer daqui a pouco o almoço de boas-vindas da FLIP, na tradicional pousada da Marquesa. O brunch será apenas para convidados e a imprensa não poderá entrar.
Autores, coordenadores do evento e autoridades de Parati estarão presentes. São esperadas 150 pessoas.
O cardápio será inteiramente baiano, bem ao gosto do escritor Jorge Amado. Vai ter xixim de galinha, moqueca de camarão, siri catado, acarajé e salada. De sobremesa, bolo de baba de moça, canjica e frutas. Caipirinhas, cerveja e vinhos trarão o clima descontraído ao evento.
Hum...deu até água na boca.
enviado por Adriana SampaioFoto: Marcos Serra Lima
Parati e seus pequenos paraísos coloniais

A natureza da baía de Parati está quase intacta.
A 15 minutos do centro, chega-se de barco na praia do Engenho. Um miniparaíso, com água cristalina e muita mata atlântica. Quase ninguém sabe, mas caminhando um minuto adentro da pequena ilha, encontra-se um antigo Engenho de cana.
A roda d'água mantém toda sua imponência e, ainda com um pouco de ousadia, é possível fazê-la girar. É um belo passeio para quem quiser reviver os tempos mórbidos da escravidão.
enviado por Adriana Sampaio
Fotos: Marcos Serra Lima
Lillian Ross é internetmaníaca

A jornalista Lillian Ross acaba de adentrar a sala de imprensa. De bermuda jeans e tênis ela, que é referência lendária do jornalismo narrativo, demonstrou já ter entrado no clima de Parati.
Muito sorridente, ela disse não consegue ficar sem internet e deu um jeito de checar seus e-mails. A escritora do clássico "Reporting" pergunta aos jornalistas de que veículos são, e dispara:
"Vocês são tão bonitos! Têm uma cara alegre!".
Lillian também está interessada na história do Brasil colonial. Ela pergunta sobre o tempo da escravidão e diz estar maravilhada com a beleza da cidade histórica.
Mais tarde, Lillian participa da coletiva de imprensa da Festa. Agora, ela não quer posar para fotos de jeito nenhum.
"Preciso me arrumar antes", diz, vaidosa.
Enviado por Leticia Rio Branco
Lua de prata
Mesmo em Parati, onde a história do Brasil colonial transborda a cada esquina e acaba prendendo a atenção dos visitantes, existe algo que é capaz de transportar quem passa por ali para outra dimensão.
Nas ruas de pedras, colocadas por escravos na época do caminho do ouro, basta olhar para o céu e se surpreender com uma lua cheia daquelas. Cinematográfica, até.
Para quem não sabe ou já esqueceu, vale recordar: o caminho do ouro foi um dos principais portões de entrada para o interior do Brasil no período colonial. A estrada de 1200 km unia Parati a Diamantina, passando por Ouro Preto e a atual cidade de Tiradentes.
Calçado nos séculos XVIII e XIX, foi abandonado no século XX e pouco restou do seu calçamento original. Um dos maiores trechos ainda existentes está aqui, em Parati.
Uma parte deste caminho corta de ponta a ponta o Sítio Histórico-Ecológico do Caminho do Ouro que o recuperou e que atualmente se encontra aberto para caminhadas e visitação pública.
Enviado por Leticia Rio Branco
Fotos: Marcos Serra Lima
Paloma Amado, a arte de ser filha e fã
Ao falar do pai, Jorge Amado, Paloma respira mais pausadamente e pára a entrevista. Com a voz um pouco embargada, ela segue em frente e desabafa:
“Sinto falta dele todos os dias. É difícil falar do meu pai”.
O escritor que eternizou a Bahia em todas suas diversas cores, cheiros, sons e personagens, é o grande ídolo da escritora de 55 anos.
Ela não irá à Flip ver de perto a homenagem prestada ao autor. Mas não precisa. De longe, Paloma é a fã número um do legado deixado pelo baiano convicto, que traduzia toda a vida de sua aldeia em apimentadas e marcantes histórias.
Por que você não irá à Flip?Estava tudo certo, mas não vou deixar minha mãe (a escritora Zélia Gattai) sozinha. Eu, meu irmão e ela íamos à Flip, mas por causa dos problemas de saúde dela, não vou para ficar em casa com a mamãe. Não tive coragem de deixá-la sem ninguém.
O que acha da homenagem que a Flip prestará ao seu pai?Acho linda. Quando me ligaram da Flip, fiquei encantada. O meu pai é uma pessoa muito querida, a literatura dele é muito apreciada. Essa homenagem veio na hora certa, pois ele se foi há cinco anos. Mas ele sempre teve esse reconhecimento do público. Claro que existiu a crítica, pois não existe unanimidade.
Você nasceu no meio de muitos livros. A paixão pela literatura surgiu de uma certa imposição?Lá em casa nada era proibido, nem obrigado. Claro que a casa era cheia de livros, a tendência era ler. Lembro que um dia meu irmão começou a ler quatro livros do papai ao mesmo tempo. Ele se trancou no quarto, com seus 12 anos, e não saiu de lá até acabar. Eu, com meus 13 anos, lia muito: Monteiro Lobato, sou da época do Pedrinho e da Narizinho! Os contos de Andersen também me acompanhavam. Ele nunca me proibiu de fazer nada. Com 13 anos, fui ler ‘Sexus’, do Henry Muller. Aí ele disse: ‘você vai ler isso?’. Eu: ‘Vou, porque é proibido. Qual o problema?’. Meu pai rebateu: ‘Porque você não vai entender nada’. Li o livro e, ná vigésima página, desisti. Não entendi nada mesmo e nem falei sobre o assunto com ele.
Como é a vida da família Amado?Todos sempre diziam, ‘poxa, vocês são tão simples’. Papai dizia: sempre que encontrar uma pessoa que achar importante, ela não é nada disso. Quem é importante mesmo não precisa de nada para provar o que é. Ele também sempre dizia para não falarmos que eu e meus irmãos éramos filhos dele em vão. Não iam gostar da gente pelo fato de ser filho de fulano. Ele se preocupava e foi um pai muito presente. Mesmo com um bom tempo dedicado à atividade política, ele e mamãe eram sempre muito preocupados.
Como o seu pai lhe incentivou quando decidiu seguir a mesma profissão?Comecei a escrever sobre cozinha, é uma área que gosto muito. É claro que ser filha de pais escritores inibe um pouco, tem a cobrança natural. Mas meu pai sempre insistiu para continuar escrevendo, e olha que era meio tímida para isso. Saí de casa muito cedo, casei aos 19 anos, numa época em que nem se falava de gravidez na adolescência. A gente sempre se encontrava, mesmo assim. Quando morava no Maranhão, ele ia trabalhar na minha casa. Era muito bom acompanhar o trabalho dele; ele lia, relia, e depois lia para mim. Eu dava palpites, raramente ele aceitava.
Por que a obra do seu pai agrada a um público tão diverso, de diferentes gerações?Acho que ele escrevia sobre uma coisa que entendia muito, conseguindo transmitir a posição dele, em favor dos menos favorecidos. Como socialista que foi, mostrava a que veio desde o seu livro mais jovem e panfletário à sua obra mais madura. Além de ser fiel às suas idéias, ele era muito lírico. A literatura dele é de uma beleza incrível.
Qual o livro dele que mais gosta? Por quê?‘Os velhos marinheiros’. É o livro o qual papai fala dos sonhos. Ele escreveu uma coisa que me toca muito, ‘sonhar é o único bem que ninguém pode tirar de um homem’. Isso independe da situação política, da classe social. É um livro da vitória do sonho sobre a realidade. Estou sempre o relendo.
Jorge Amado era um sonhador?Meu pai sonhou bastante, ele fez o bem e conseguiu realizar muitos sonhos. Sem contar que viveu a realidade dele com bastante intensidade e sabedoria.
Qual a sua opinião sobre o impacto da obra do seu pai nos dias de hoje?Os assuntos abordados por ele são absolutamente atuais. Em ‘Capitães de Areia’, papai escreveu denunciando um problema que atingia 300 crianças. Hoje são bilhões de crianças. É atual a luta pela igualdade dos homens. É muito difícil falar do papai. Ele tinha uma generosidade imensa, talvez essa tenha sido a maior qualidade dele. Ele nunca foi invejoso, sempre deu força para os autores mais novos. Ele era tão realizado no que fazia, uma pessoa que valia muito a pena. Sinto falta dele todos os dias.
E a relação com sua mãe, Zélia Gattai?A mamãe teve um papel muito importante, pois contava histórias para a gente, com o livro na mão, que é para a criança saber que o livro é o objeto onde é possível encontrar esse mundo inacreditável. Mamãe é uma pessoa cheia de histórias. Ela foi uma pessoa que começou a escrever muito tarde, mas antes disso ela contava histórias floreando um bocado. Por causa dela existem muitos personagens dos quais sou íntima, mesmo sem nunca tê-los visto na vida.
Qual o exemplo que a relação de seus pais deixou?Sou divorciada e meu irmão está casado pela terceira vez. Sempre falo para a mamãe que nenhum dos filhos puxou a ela. Eles souberam buscar a pessoa certa. Aprendi que, para uma relação, o fundamental é o respeito. Tem uma música do Arnaldo Antunes, que diz “não quero ganhar, quero chegar junto”. Nossa, como lembro deles! Nenhum dos dois queria ganhar um do outro, papai era o primeiro a apoiar a mamãe, sempre. Eles tinham um amor muito grande. Nunca consegui isso, mas a gente tem que desejar e sonhar. Quem sabe um dia?
Enviado por Leticia Rio Branco
Sai Ricardo Piglia, entra José Miguel Wisnik
O escritor e crítico literário argentino Ricardo Piglia não poderá participar desta edição da Flip por motivo de saúde. Para substituí-lo, foi convocado em cima da hora o professor de literatura brasileira e compositor José Miguel Wisnik.
Wisnik fará uma palestra baseada em seu ensaio “Machado Maxixe”, a partir de uma análise do conto de Machado de Assis “Um homem célebre”, publicado no livro "Sem Receita – ensaios e canções".
A mesa está marcada para o dia 12, sábado, às 17h.
Enviado por Leticia Rio Branco
Uma Bethânia minimalista?
Maria Bethânia já está em Parati. E, como faz a linha low profile, a cantora que abre a Flip na noite desta quarta-feira resolveu ficar quietinha numa pousada do centro da cidade histórica.
A baiana concede nesta noite uma entrevista exclusiva ao Fantástico, demonstrando estar um pouco arredia quando se trata do assunto imprensa na sua cola.
O circo para o show da irmã de Caetano está montado: é lá, na Tenda da Matriz, que Bethânia vai soltar a voz para os mais sortudos.
Pois é, os ingressos para a apresentação já estão esgotados...
Enviado por Leticia Rio Branco
Falta muito pouco para a Flip
As charmosas ruas de Parati vão receber, a partir desta quarta-feira, gente que tem uma paixão em comum: a leitura.
A quarta edição da Festa Literária Internacional de Parati, mais conhecida como Flip, transforma a pacata cidade fluminense num aglomerado de escritores, gringos, descolados e quem mais quiser participar da festa.
Em debates das mesas-redondas ou nas esquinas repletas de história do local, não se fala em outra coisa, senão literatura.
Será? Nem tanto.
Há espaço para uma série variada de expressões artísticas.
Saraus, apresentações de teatro e dança, recitais de poesia, shows, e lançamentos de livros completam a programação recheada da Festa.
Bom, então se você gosta de outras coisas tanto quanto mergulhar nas páginas de um livro, ver de perto a tradicional apresentação de bonecos, no Teatro Espaço, já vale. Mesmo que você não seja um devorador voraz de livros mais cults, faz com que você não se sinta um ET em plena Flip.
Afinal, não é todo dia que se esbarra com Ubaldos e Conys, entre umas doses e outras de cachacinha, a bebida típica do local.
A cidade fica lotada e muitas pousadas já estão com as portas fechadas. Vale a tentativa para ver se sobrou um quartinho: o telefone do Centro de Informações é (24) 3371- 1161.
Não deu para ir? Basta ficar ligado no blog que o
EGO preparou sobre a Festa.
Boa sorte, boa Flip!
Enviado por Leticia Rio BrancoFoto: Marcos Serra Lima